Página do jornal Diário do Grande ABC mostra a matéria “Financiamento direto incrementa negócios”, com destaque para construtoras que adotaram financiamento próprio e citação de Marcos Bigucci.

Financiamento direto incrementa negócios

Construtoras com linhas próprias tiveram alta nas vendas

DIÁRIO DO GRANDE ABC
Economia
Sábado, 20 de outubro de 2001

Rita Norberto
Da Redação

Com as dificuldades em conseguir financiamentos bancários para compra da casa própria, começa a crescer o número de parcelamentos direto com as construtoras. Empresas que já ofereciam esta opção dizem que a procura aumentou, e outras passaram a perceber agora este filão impulsionado pelo fim do financiamento da Caixa Econômica Federal para a classe média.

Segundo o diretor para o Grande ABC do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon), Ricardo Di Folco, hoje esta opção já é utilizada em 41% das vendas. Segundo ele, como vantagem, em geral, não é exigida a comprovação de renda e o financiamento tem prazo menor, em média seis anos.

A construtora M. Bigucci, de São Bernardo, realiza alguns financiamentos diretos esporadicamente, mas lançou há oito dias seu primeiro plano de compra direta com construtora. O plano não exige comprovação de renda e permite a compra de apartamentos na planta com entrada parcelada e financiamento em 72 meses.

“Pela Caixa, o financiamento é bem mais longo, chega a 20 anos”, disse Marcos Bigucci, diretor de marketing da construtora. Segundo ele, a empresa quer atender a demanda existente de pessoas que têm renda, mas não conseguem comprová-la. “Fizemos um levantamento e vimos que 40% dos nossos clientes estavam nesta situação. Eles podiam comprar, mas não por meio de financiamento bancário”, disse. Com o lançamento, as vendas aumentaram 60%.

Outra construtora que acaba de entrar neste segmento é a Ipoâ, de São Bernardo, que é especializada em imóveis populares. Trata-se do plano Light, que foi pensado, segundo o gerente de vendas, Valdir Luís da Silva, para quem ganha menos de R$ 2,1 mil, valor exigido nos financiamentos da Caixa para imóveis populares. “Temos muitos clientes que ganham na faixa de R$ 1,5 mil e Que agora podem pagar diretamente para nós”. Segundo ele, O comprador paga parcelas de R$265 até atingir 40% da obra, recebe a chaves e continua efetuando os pagamentos. Não há comprovação de renda.

Na MRV Engenharia, construtora mineira que está quando seu primeiro empreendimento em São Bernardo, o financiamento direto já é realizado há anos e hoje representa 70% das vendas, volume 35% superior ao registrado no ano passado. “Com as restrições impostas para os financiamentos, este número vem crescendo”.  Não é o nosso papel porque somos construtora e não financiadora, Mas não existe uma política habitacional no Brasil e temos de fazer o papel de bancos” disse o Diretor comercial Marcos Cabaleiro. Os imóveis da MRV variam de R$ 25 a 60 mil. Não há comprovação de renda(apenas verificação de restrições) e entrada somente se o imóvel estiver com a construção avançada.

Na Construtora Di Folco, de São Bernardo, a compra direta já representa quase 100% das vendas. “Os financiamentos diretos têm tido poucas ferramentas Para que o setor continue construindo”, disse o proprietário, Ricardo Di Folco.

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